sábado, 5 de novembro de 2016

32 - A INTERCESSÃO


Dn 9.3: “Eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração, e rogos, e jejum, e pano de saco, e cinza”.

            Pode se definir a intercessão como a oração contrita e reverente, mediante a qual o crente suplica a Deus em favor de outra pessoa que extremamente necessitem da intervenção divina. A oração de Daniel no capítulo 9 é uma oração intercessória, pois ele ora contritamente em favor da restauração de Jerusalém e de todo o povo de Israel. A Bíblia nos fala da intercessão de Cristo e do Espírito Santo, e de numerosos santos, homens e mulheres do antigo e do novo concerto.

A INTERCESSÃO DE CRISTO E DO ESPÍRITO SANTO
            Jesus, no seu ministério terreno, orava pelos perdidos, os quais ele viera buscar e salvar. Chorou quebantado, por causa da indiferença da cidade de Jerusalém “E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela” (Lc 19.41). Orava pelos seus discípulos, tanto individualmente, como pelo grupo todo (compare Lc 22.32 com Jo 17.6-26). Orou até por seus inimigos, quando pendurado na cruz “e dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem...” (Lc 23.34).
            Um aspecto permanente do ministério atual de Cristo é o que interceder pelos crentes diante do trono de Deus “... o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.” (Rm 8.24) e ainda em Hebreus 7.25; 9.24. Cristo vive no céu, na presença do Pai, intercedendo por todos os seus seguidores, individualmente, de acordo com a vontade do Pai. Pelo ministério da intercessão de Cristo, experimentamos o amor e a presença de Deus e achamos misericórdia e graça para sermos ajudados em qualquer tipo de necessidade, tentação, fraqueza, pecado e provação. A oração de Cristo como sumo sacerdote em favor do seu, bem como sua vontade de derramar o Espírito Santo sobre todos os crentes, nos ajudam a compreender o alcance do seu ministério de intercessão. Mediante a intercessão de Cristo, aquele que se chega a Deus, isto é, se chega continuamente a Deus, pois particípio no grego para o salvo “perfeitamente”. A intercessão de Cristo como nosso sumo sacerdote, é essencial para nossa salvação. Sem ela, e sem sua graça, misericórdia e ajuda que nos são outorgados através daquela intercessão, nos afastaríamos de Deus, voltando a ser escravos do pecado e ao domínio de Satanás, e incorrendo em justa condenação. Nossa única esperança é aproximar-nos de deus por meio de Cristo pela fé (1Pe 1.5). Note que Cristo não permanece côo advogado e intercessor dos que se recusam a confessar e abandonar o pecado e que se apartam da comunhão com Deus. Sua intercessão para salvar “perfeitamente” é somente para aqueles que “por Ele se chegam a Deus” (Hb 7.25). Não há segurança nem garantia para quem deliberadamente peca e deixa de se chegar a Deus por Ele. Posto que Cristo é nosso único mediador e intercessor no céu, qualquer tentativa de ter anjos ou santos falecidos como mediadores e de oferecer orações ao Pai através deles, é tanto inútil quanto antibíblico. João refere-se a Jesus como “um advogado para com o Pai” (1Jo 2.1). A intercessão de Cristo é essencial à nossa salvação. Sem a sua graça, misericórdia e ajuda, que recebemos mediante a sua intercessão, nós nos desviaríamos de Deus e voltaríamos à escravidão do pecado.
            O Espírito Santo também está empenhado na intercessão, Paulo declara: “Não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26). No tocante à atividade do Espírito Santo em ajudar o crente a orar, três observações são importantes:
1)    O filho de Deus tem dois intercessores divinos. Cristo intercede no céu pelo crente, perante a face do Pai e o Espírito Santo intercede no íntimo do crente, na terra.
2)    “Com gemidos”, provavelmente, indica que o Espírito intercede juntamente com os gemidos do crente. Esses gemidos têm lugar no coração do crente.
3)    Os desejos e anseios espirituais dos crentes têm sua origem no Espírito Santo, que habita em nosso coração. O próprio Espírito suspira, geme e sofre dentro de nós, ansiando pelo dia final da redenção. Ele apela ao pai em favor das nossas necessidades “segundo a vontade de Deus”. Portanto, Cristo intercede pelo crente, no céu, e o Espírito intercede dentro do crente, na terra.

A INTERCESSÃO DO CRENTE
            A Bíblia refere-se constantemente às orações intercessórias do crente e registra numerosos exemplos de orações notáveis e poderosas.
            No AT, os líderes do povo de Deus, tais como os reis, profetas e sacerdotes, deviam ser exemplo na oração intercessória em prol da nação. Exemplos marcantes de intercessão no AT, são as orações de Abraão em favor de Ismael e de Sodoma e Gomorra, as orações de Davi em favor de seus filhos, e as de Jó em favor de seus filhos. Na vida de Moisés, temos o exemplo supremos no AT, quanto ao poder da oração intercessória. Em várias ocasiões ele orou intensamente para Deus alterar a sua vontade, mesmo depois de o Senhor declarar-lhe aquilo que Ele já resolvera executar. Por exemplo, quando os israelitas se rebelaram e se recusaram a entrar em Canaã, Deus falou a Moisés que iria destuí-lo e fazer de Moisés uma nação maior (Nm 14.1-12). Moisés, então, falou o assunto ao Senhor em oração e implorou a favor dos israelitas (Nm 14.13-19); no fim da sua oração, Deus lhe disse: “Conforme à tua palavra, lhe perdoei” (Nm 14.20). Outros poderosos intercessores do AT são Elias, Daniel e Neemias.
            O NT apresenta mais exemplos, ainda, de orações intercessórias. Os evangelhos registram como os pais e outras pessoas intercediam com Jesus em favor dos seus entes queridos. Os pais rogavam a Jesus para que curasse seus filhos doentes (Mc 5.22-43; Jo 4.47-53); um grupo de mães pediu que Jesus abençoasse seus filhos (Mc 10.13). Certo homem de posição implorou, pedindo a cura de um servo (Mt 8.6-13), e a mãe de Tiago e João intercedeu diante de Jesus em favor deles (Mt 20.20,21).
            A igreja do NT intercedia constantemente pelos fiéis. Por exemplo, a igreja de Jerusalém reuniu-se a fim de orar pela libertação de Pedro da prisão “Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a igreja fazia contínua oração por ele a Deus” (At 12.5). A igreja de Antioquia orou pelo êxito do ministério de Barnabé e Paulo (At 13.3). Tiago ordena expressamente que os presbíteros da igreja orem pelos enfermos (Tg 5.14) e que todos os cristãos orem “uns pelos outros” (Tg 5.16). Paulo vai mais além, e pede que se faça a oração em favor de todos. (1Tm 2.1-3).
            O apóstolo Paulo, quanto à intercessão, merece, menção especial. Em muitas das suas epístolas discorre a respeito das suas próprias orações em favor de várias igrejas e indivíduos, exemplo, Rm 1.9,10; Fp 1.4-11; Cl 1.3,9-12; 1Ts 1.2,3; 2Ts 1.11,12; 2Tm 1.3; Fm vers 4-6. Vez por outra fala das suas orações intercessórias (Ef 1.16-18); 3.14-19; 1Ts 3.11-13). Ao mesmo tempo, também pede orações das igrejas por ele, pois sabe que somente através dessas orações é que o seu ministério terá plena eficácia (Rm 15.30-32; 2Co 1.11; Ef 6.18-20; Fp 1.19; Cl 4.3,4).

PROPÓSITO DA ORAÇÃO INTERCESSÓRIA
            Nas numerosas orações intercessórias da Bíblia, os santos de Deus intercediam para que Deus sustasse o seu juízo, que restaurasse o seu povo, que livrasse as pessoas do perigo e que abençoasse seu povo. Os intercessores também oravam para que o poder do Espírito Santo viesse sobre os crentes, para que alguém fosse curado, pelo perdão dos pecados, para Deus dar capacidade às pessoas investidas de autoridade para governarem bem, pelo crescimento na vida cristã, por pastores que sejam capazes, pela obra missionária, pela salvação do próximo e para que os povos louvem a Deus. Qualquer coisa que a Bíblia revele como perfeita vontade de Deus para seu povo pode ser um motivo apropriado para a oração intercessória.

AMÉM!

Erivelton de Jesus.

31 - A GLÓRIA DE DEUS


“Ez 10.14: Então, se levantou a glória de sobre o querubim para a entrada da casa; e encheu-se a casa de uma nuvem, e o átrio se encheu do resplendor da glória do Senhor”.

Definição da glória de Deus
            A palavra glória no original bíblico hebraico “tip’eret” que por sua vez significa “glória, beleza, ornamento, distinção, orgulho”. Este substantivo aparece em torno de 51 vezes e em todos os períodos do hebraico bíblico. O termo tip’eret (ou tip’arãh) significa “glória” em várias ocasiões. Relacionado a Deus é usado para enfatizar Sua dignidade, renome e beleza. A expressão “glória de Deus” tem emprego variado na Bíblia.
1)    Às vezes, descreve o esplendor e majestade de Deus, uma glória tão grandiosa que nenhum ser humano pode vê-la e continuar vivo. Quando muito pode-se ver apenas um “aparecimento de semelhança da glória do Senhor” (conforme a visão de Ezequiel teve do trono de Deus, Ez 1.26-28). Neste sentido, a glória de Deus designa sua singularidade, sua santidade e sua transcendência. Pedro emprega a expressão “a magnífica glória” com um nome de Deus em 2Pe 1.17.
2)    A glória de Deus também se refere à presença visível de Deus entre o povo, glória esta que os rabinos de tempos posteriores chamavam de “shekinah” Shekinah é uma palavra hebraica que significa “habitação [de Deus]”, empregada para descrever a manifestação visível da presença e glória de Deus. Moisés viu a shekinah de Deus na coluna de nuvem e de fogo “E o Senhor ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo, para os alumiar, para que caminhassem de dia e de noite.” (Êx 13.21). Em Êx 29.43 é chamada “minha glória”. Ela cobriu o Sinai quando Deus outorgou a Lei, encheu o Tabernáculo, guiou Israel no deserto e posteriormente enche o templo de Salomão. Mais precisamente, Deus habitava entre os querubins no Lugar Santíssimo do templo. Ezequiel viu a glória do Senhor levantar-se e afastar-se do templo por causa da idolatria infrene ali (Ez 10.4,18, 19). O equivalente da glória shekinah no NT é Jesus Cristo que, como a glória de Deus em carne humana, veio habitar entre nós (Jo 1.14). Os pastores de Belém viram a glória do Senhor no nascimento de Cristo (Lc 2.9), os discípulos a viram na transfiguração de Cristo, e Estevão a viu na ocasião do seu martírio (At 7.55).
3)    Um terceiro aspecto da glória de Deus é sua presença e poder espirituais. Os céus declaram glória de Deus “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19.1) e toda a terra está cheia de sua glória (Is 6.3), todavia o esplendor da majestade divina não é comumente visível, nem notado. Por outro lado, o crente participa da glória e da presença de Deus em sua comunhão, seu amor, justiça e manifestações, mediante o poder do Espírito Santo “Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito Santo do Senhor” (2Co 3.18).
4)    Por último, o AT adverte que qualquer tipo de idolatria é uma usurpação de glória de Deus e uma desonra ao seu nome. Cada vez que Deus se manifesta como nosso Redentor, seu nome é glorificado. Todo o ministério de Cristo na Terra redundou em glória ao nosso Deus.

A GLÓRIA DE DEUS REVELADA EM JESUS CRISTO
            Quando Isaías falou da vinda de Jesus Cristo, profetizou que nEle seria revelada a glória de Deus para que toda raça humana a visse “E a gloria do Senhor se manifestará...” (Is 40.5). Tanto João como o escritor aos Hebreus (Jo1. 14; Hb 1.3) testificam que Jesus Cristo cumpriu essa profecia. A Glória de Cristo era a mesma glória que Ele tinha com seu Pai antes que houvesse mundo. A glória do seu ministério ultrapassou em muito a glória do ministério do AT. Paulo chama Jesus “o Senhor da glória”, e Tiago o chama “nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da Glória” (Tg 2.1).
            Repetidas vezes, o NT refere-se ao vínculo em Jesus Cristo e a Glória de Deus. Seus milagres revelavam a sua glória “Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia e manifestou a sua glória...” Jo 2.11). Cristo transfigurou-se em meio a “uma nuvem luminosa” (Mt 17.5), onde Ele recebeu glória. À hora da sua morte foi à hora da sua glorificação “... É chegada a hora em que o Filho do Homem há de ser glorificado”. (Jo 12.23). Subiu ao céu em glória, e agora está exaltado em glória (Ap 5.12,13), e um dia voltará “sobre as nuvens dos céus com poder e grande glória” (Mt 24.30).

A GLÓRIA DE DEUS NA VIDA DO CRENTE
Como a glória de Deus relaciona-se ao crente pessoalmente?
Concernente à glória celestial e majestosa de Deus, é bem verdade que ninguém pode contemplar essa glória e sobreviver. Sabemos que ela existe, mas não a vemos. Deus habita em luz e glória inacessíveis, que nenhum ser humano pode vê-lo face a face (1Tm 6.16).
A glória shekinah de Deus, no entanto, era conhecida do seu povo nos tempos bíblicos. No decurso da história, até o presente, sabe-se de crentes que tiveram visões de Deus, semelhantes às de Isaías (Is 6) e Ezequiel (Ez 1), embora isso não fosse comum naqueles tempos, nem agora. Experiência da glória de Deus, no entanto, é algo que todos os crentes terão na consumação da salvação, quando virmos a Jesus face a face. Seremos levados à presença gloriosa de Deus, e compartilharmos da glória de Cristo (Rm 8.17,18) e receberemos uma coroa de glória (1Pe 5.4). Até mesmos o nosso corpo ressurreto terá a glória de Cristo ressuscitado (1Co 15.42,43; Fp 3.21).
            De um modo mais direto, o crente sincero experimenta a presença espiritual de Deus. O Espírito Santo nos aproxima da presença de Deus e do Senhor Jesus. Quando o Espírito opera poderosamente na igreja, através das suas manifestações sobrenaturais (1Co 12.1-12), o crente experimenta a glória de Deus no seu meio, isto é, um sentimento de majestosa presença de Deus, semelhante ao que sentiram os pastores nos campos de Belém quando nasceu o Salvador (Lc 2.8-20).
            O crente que abandona o pecado e que repudia a idolatria pode ser cheio da glória de Cristo (Jo 17.22), bem como do Espírito da glória; na realidade, uma das razões de Jesus vir ao mundo foi para encher de glória os crentes. Como salvos por Cristo Jesus, devemos viver a nossa vida inteira para a glória de Deus, a fim de que Ele seja glorificado em nós, “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” (1Co 10.31)

AMÉM!
 Erivelton R. de Jesus

Fontes: Bíblia de Estudos Pentecostal e outros

30 - A PAZ DE DEUS


Jr 29.7: “Procurai a paz da cidade para onde vos fiz transportar; e orai por ela ao SENHOR, porque na sua paz, vós tereis paz...”
DEFINIÇÃO DE PAZ
            A palavra hebraica para “paz” é shalom. Denota muito mais do que a ausência de guerra e conflito. O significado básico de shalom é harmonia, plenitude, firmeza, bem-estar e êxito em todas as áreas da vida.
1)    Pode referir-se à tranqüilidade nos relacionamentos internacionais, tal com a paz entre as nações. “Porque (Salomão) dominava sobre tudo... e tinha paz de todas as bandas em roda dele.” (1Re 4.24).
2)    Pode referir-se, também, a uma sensação de tranqüilidade dentro de uma nação durante tempos de prosperidade e sem guerra civil.
3)    Pode ser experimentada com integridade e harmonia nos relacionamentos humanos tanto dentro do lar “Melhor é um bocado seco e com ele a tranqüilidade do que a casa cheia de vítimas, com contenda.” (Pv 17.1), quanto fora “... tende paz com todos os homens” (Rm 12.18).
4)    Pode referir-se ao nosso senso pessoal de integridade e bem-estar, livre de ansiedade e em paz com a própria alma “Em paz também me deitarei, e dormirei...” (Sl 4.8) e com Deus “... Temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1).
5)    Finalmente, embora a palavra shalom não seja empregada em Gn 1-2, ela descreve o mundo originalmente criado, que existia em perfeita harmonia e integridade. Quando Deus criou os céus e a terra, criou um mundo de paz. O bem-estar total da criação reflete na breve declaração: “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom” (Gn 1.31).
A INTERRUPÇÃO DA PAZ
            Quando Adão e Eva deram atenção à voz da serpente, e comeram da árvore proibida (Gn 3.1-7), sua desobediência introduziu o pecado e se interrompeu a harmonia original do universo.
1)    Naquele momento, Adão e Eva experimentaram, pela primeira vez, culpa e vergonha diante de Deus (Gn 3.8), e uma perda da paz interior.
2)    O pecado de Adão e Eva no jardim do Éden destruiu seu relacionamento harmonioso com Deus. Antes de comerem daquele fruto, tinham íntima comunhão com Deus, mas depois esconderam-se “da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim” (Gn 3.8). Ao invés de sentirem anelo pela conversa com Deus, agora tiveram medo da sua voz “e ele disse: ouvi a tua voz soar no jardim, e temi...” (Gn 3.10).
3)    Além disso, interrompeu-se o relacionamento harmonioso entre Adão e Eva como marido e mulher. Quando Deus começou a falar-lhes a respeito do pecado que haviam cometido, Adão lançou a culpa em Eva (Gn 3.12) e Deus declarou que a rivalidade entre homem e mulher continuaria (Gn 3.16). Assim começou o conflito social que agora é parte integrante das difíceis relações humanas, desde as discussões e a violência no lar, até os conflitos e guerras internacionais.
4)    Finalmente, o pecado interrompeu a harmonia e a unidade entre a raça e a natureza. Antes de Adão pecar, trabalhava alegremente no jardim do Éden, e andava livremente entre os animais, dando nome a cada um (Gn 2.19,20). Parte da maldição divina após a queda envolvia a inimizade entre Adão e Eva e a serpente (Gn 3.15), bem como uma nova realidade: o trabalho produziria suor e labuta (Gn 3.17-19). Antes havia harmonia entre a raça humana e o meio ambiente, agora luta e conflito de modo que “toda criação geme e está juntamente com dores de parto até agora” (Rm 8.22). Nos versículos 22-27 do capítulo 8 carta aos Romanos, Paulo fala de três gemidos diferentes: o da criação, o dos crentes e o do Espírito Santo. A “criação” (isto é, a natureza animada e inanimada) tornou-se sujeita ao sofrimento e às catástofres físicas, por causa do pecado humano.


A RESTAURAÇÃO DA PAZ
                Embora o resultado da queda fosse a destruição da paz e do bem-estar para a raça humana, e até mesmo para a totalidade do mundo criado, Deus planejou a restauração do shalom: Logo, a história da reconquista da paz é a história da redenção em Cristo.
1)    Tendo em vista que Satanás deu início à destruição da paz no mundo, o restabelecimento da paz deve envolver a destruição de Satanás e do seu poder. Por isso, muitas das promessas do AT a respeito da vinda do Messias eram promessas de vitória e paz vindouras. Davi profetizou que o Filho de Deus governaria as nações “Pede-me, e eu te darei as nações por herança e os confins da terá por sua possessão” (Sl 2.8). Isaías vaticinou que o Messias reinaria como o Príncipe da Paz (Is 9.6,7). Ezequiel predisse que o novo concerto de Deus se propôs estabelecer através do Messias seria um concerto de paz (Ez 34.25) E Miquéias, a profetizar o nascimento em Belém do rei vindouro, declarou: “E este será a nossa paz” (Mq 5.5).
2)    Por ocasião do nascimento de Jesus, os anjos proclamaram que a paz de Deus acabava de chegar à terra “Gloria a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens!” (Lc 2.14). O próprio Jesus veio para destruir as obras do diabo “Quem comete pecado é do diabo, porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo.” (1Jo 3.8) e para romper todas as barreiras de conflito que tomasse parte da vida a fim de trazer a paz. Jesus deu aos discípulos a sua paz como herança perpétua antes de ir à cruz “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou: não vo-la dou como o mundo a dá.” (Jo 14.27). Mediante a sua morte e ressurreição, Jesus desarmou os principados e potestades hostis, e assim possibilitou a paz “e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus.” ((Cl 1.20). Por isso, quando se crê em Jesus Cristo, se é justificado mediante a fé se tem paz com Deus (Rm 5.1). A mensagem que os cristãos proclamam são as boas-novas da paz.
3)    Apenas saber que Cristo veio como o Príncipe da Paz não garante que a paz se tornará automaticamente parte da vida: para experimentar a paz tem que estar unido com Cristo numa fé ativa. O primeiro passo é crer no Senhor Jesus Cristo. Quando assim faz, a pessoas é justificada pela fé “Sabemos que o home não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo...” (Gl 2.16), e assim tem paz com Deus (Rm 5.1). Juntamente com a fé, deve-se andar em obediência aos mandamentos divinos a fim de viver-se em paz “Se andardes nos meus estatutos, e guardardes os meus mandamentos, e o fizerdes. Também darei paz na terra...” (Lv 26.3,6). Os profetas do AT declararam freqüentemente que não há paz para os ímpios “os ímpios, diz o meu Deus, não têm paz.” (Is 57.21). A fim de que os crentes conheçam sua paz perpétua, Deus lhes tem dado o Espírito Santo, que começa a operar em nós um aspecto do fruto, que é a paz. “Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, PAZ, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gl 5.22). Com a ajuda do Espírito, deve-se orar pedindo paz “e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Cl 4.7). Essa paz consiste em uma tranqüilidade interior, que o Espírito Santo nos transmite. Quando colocamos diante de Deus, em orações, as nossas inquietações, essa paz ficará como guarda à porta do nosso coração e de nossa mente, para impedir que os cuidados e angústias perturbem a vida e a esperança em Cristo. Temos que deixar essa paz governar nossos corações, temos que buscar essa paz e segui-la, e nos esforçarmos para vivermos em paz com o próximo.

AMÉM!
Erivelton R. de Jesus

Fontes: Bíblia de Estudos Pentecostal e outros. 

29 - A PALVRA DE DEUS


Is 55.10,11 “Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra e fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra  que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei.”
         A natureza da palavra de Deus
            A expressão “a palavra de Deus” também “a palavra do Senhor” ou simplesmente “a palavra” possui várias aplicações ma Bíblia.
1) Obviamente, refere-se, em primeiro lugar, a tudo quanto Deus tem falado diretamente. Quando Deus falou a Adão e Eva (Gn 2.16,17; 3.9-19), o que Ele lhes disse era, de  fato, a palavra de Deus. De modo semelhante, Ele se dirigiu a Abrão, a Isaque, a Jacó, e a Moisés. Deus também falou à totalidade da nação de Israel, no monte Sinai, ao proclamar-lhe os dez mandamentos (Ex 20.1-19). As palavras que os israelitas ouviram eram palavras de Deus.
2) Além da fala direta, Deus ainda falou através dos profetas. Quando eles se dirigiam ao povo de Deus, assim introduziam as suas palavras, declarações: “Assim diz o Senhor” ou “Veio a mim a palavra do Senhor”. Quando, portanto, os israelitas ouviam as palavras do profeta, ouviam, na verdade, a palavra de Deus.
3) A mesma coisa pode ser dita a respeito do que os apóstolos falaram no NT. Embora não introduzissem suas palavras com a expressão “Assim diz o Senhor”, o que falavam e proclamavam era verdadeiramente, a palavra de Deus. O sermão de Paulo ao povo de Antioquia da Pisídia (At 13.14-41), por exemplo, criou tamanha comoção que, “no sábado seguinte, ajuntou-se quase toda a cidade a ouvir a palavra de Deus” (At 13.44). O próprio Paulo assegurou aos tessalonicenses que, “havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavras de homens, mas como a palavra de Deus” (1TS 2.13).
4) Além disso, tudo quanto Jesus falava era palavra de Deus, pois Ele, antes de tudo, é Deus (Jô 1.1,18;10.30;1Jo 5.20); Lucas, escritor do terceiro evangelho, declara explicitamente que , quando as pessoas ouviam a Jesus, ouviam na verdade a palavra de Deus, “E aconteceu que, apertando-o a multidão para ouvir a palavra de Deus, estava ele junto ao lago de Genesaré” (Lc 5.1). Note, como, em contraste com os profetas do AT, Jesus introduzia seus ditos: Eu “vos digo” (ex: Mt 5.18,20,22,23,32,39; 11,22,24; Mc 9.1; 10.15; Lc 10.12; 12.4; Jô 5.19; 6.26; 8.34). Noutras palavras, Ele tinha dentro de sim mesmo a Autoridade divina para falar a palavra de Deus. É tão importante ouvir as palavras de Jesus. Pois “quem ouvi a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não estará em condenação”(Jô 5.24). Jesus, na realidade, está estreitamente identificado com a palavra de Deus que é chamado “o verbo, o logos, a Palavra” (Jô 1.1,14; 1Jo 1.1; Ap 19.13-16).
5) A palavra de Deus é o registro do que os profetas, apóstolos e Jesus falaram, isto é, a própria Bíblia. No NT, quer um escrito usasse a expressão “Moisés disse, Davi disse, o Espírito Santo diz, ou Deus diz” nenhuma diferença fazia (veja At 3.22; Rm 10.5,19; Hb 3.7;4.7); pois o que estava na Bíblia era, sem dúvida alguma, a palavra de Deus.
6) Mesmo não estando ao mesmo nível das Escrituras, a proclamação feita pelos autênticos pregadores ou profetas, na igreja de hoje, pode ser chamada a palavra de Deus “mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada”(1Pe 1.25), e Paulo mandou Timóteo “pregar a Palavra” (2Tm 4.2). A pregação, porém, não pode existir independentemente da palavra de Deus. Na realidade, o teste para se determinar se a palavra de Deus está sendo proclamada num sermão, ou mensagem, é de ela corresponder exatamente à Palavra de Deus escrita. O que se diz de uma pessoa que recebe uma profecia, ou revelação no âmbito do culto de adoração? Ela está recebendo, ou não, a palavra de Deus? A resposta é “sim”. Paulo assevera que semelhantes mensagens estão sujeitas à avaliação por outros profetas.. Todavia, há a possibilidade de tais profecias não serem a palavra de Deus (1Co 14.29): “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem”. Toda profecia deve ser julgada ou avaliada quanto ao seu conteúdo. Isso demonstra que a profecia nos tempos do NT não era infalível, sendo passível de correção.
a) Às vezes, a profecia e o falar em línguas não procedem de Deus. “Amados, não creais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1Jo 4.1). Até mesmo os espíritos malignos conseguem agir na congregação através dos falsos mestres ou falsos profetas aí presentes. O profetizar, o falar em línguas estranhas ou a possessão dalgum dom sobrenatural não é garantia de que alguém é um genuíno profeta ou crente, pois os dons espirituais podem ser falsificados por Satanás (Mt 24.24; 2Ts 2.9-12; Ap 13.13,14).
b) Se a igreja não julga com decência e ordem (1Co 14.40) as profecias, ela deixou de seguir as diretrizes bíblicas. Note, também, que a profecia não era algo como um impulso incontrolável do Espírito, pois apenas um profeta podia falar de cada vez (1Co 14.30-32).
c) Qual deve ser a atitude da igreja para as mensagens proféticas? Todas as profecias devem ser testada segundo o padrão da doutrina bíblica. Isso significa que os crentes, devem ficar atentos ao seu cumprimento, e atentos também no caso de não se cumprir. Se a palavra profética é uma exortação, a congregação precisa perguntar: “O que devemos fazer para obedecer à vontade do Espírito?”
            É somente em sentido secundário que os profetas, hoje, falam sob a inspiração do Espírito Santo; sua revelação jamais deve ser elevada à categoria da inerrância.
            O poder da palavra de Deus
            A palavra de Deus permanece firme nos céus “Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece nos céus” (Sl 119.89).
            Não é, porém, estática; é dinâmica e poderosa “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Hb 4.12), pois realiza grandes coisas.
I.                   A palavra de Deus é criadora:
Segundo a narrativa da criação, as coisas vieram a existir à medida que Deus falava a sua palavra. Tal fato é resumido pelo salmista: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus”(Sl 33.6), e pelo escritor aos Hebreus: “Pela fé, entendemos que os mundos, pela palavra de Deus, foram criados”(Hb 11.3). De conformidade com João, a palavra que Deus usou para criar todas as coisas foi Jesus Cristo (Jô 1.1-3).
II.                A palavra de Deus sustenta a criação:
Nas palavras do escritor aos Hebreus, Deus sustenta “todas as coisas pela palavra de seu poder”(Hb 1.3). Assim como a palavra criadora, essa palavra relaciona-se com Jesus Cristo segundo Paulo insiste: “Todas as coisas subsistem por Ele (Jesus)” (Cl 1.17).
III.             A Palavra de Deus tem o poder de outorgar vida nova:
Pedro testifica que nascemos de novo “pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre”(1Pe 1.23). É por essa razão que o próprio Jesus é chamado o Verbo da vida (1Jo 1.1).
IV.             A palavra de Deus também libera graça, poder e revelação, por meio dos quais os crentes crescem na fé e na sua dedicação a Jesus Cristo:
Isaías emprega um expressivo quadro verbal: Assim como a água proveniente do céu faz as coisas crescerem, assim a palavra que sai da boca de Deus nos leva a crescer espiritualmente (Is 55.10,11). Pedro ecoa o mesmo pensamento ao escrever que, ao bebermos do leite puro da palavra de Deus, crescemos em nossa salvação (1Pe 2.2).
V.                A palavra de Deus é a arma que o Senhor nos proveu para lutarmos contra Satanás:
Jesus derrotou Satanás, pois fazia uso da Palavra de Deus: “Está escrito” , isto é, “consta como a Palavra infalível de Deus”; conforme Lc 4.1-11; Mt 4.1-11).
VI.             Finalmente, a palavra de Deus tem o poder de nos julgar:
Os profetas do AT e os apóstolos do NT frequentemente pronunciavam palavras de juízo recebidas do Senhor. O próprio Jesus assegurou que a sua palavra condenará os que o rejeitarem.  “Quem me rejeitar a mim e não receber as minhas palavras já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia.”(Jô 12.48). E o autor aos Hebreus escreve que a poderosa palavra de Deus julga “os pensamentos e intenções do coração”(Hb 4.12). Noutras palavras: os que optam por desconsiderar a palavra de Deus, acabarão por experimentá-la como palavra de condenação.
Nossa atitude ante a Palavra de Deus
         A Bíblia descreve, em linguagem clara e inconfundível, como devemos proceder quanto a palavra de Deus em sua diferentes expressões. Devemos ansiar por ouvi-la e procurar compreendê-la (Mt 13.23). Devemos louvar, no Senhor, a palavra de Deus, amá-la e dela fazer a nossa alegria e deleite. Devemos aceitar o que  a palavra de Deus diz, ocultá-la nas profundezas de nosso coração, confiar nela, e colocar a nossa esperança em suas promessas. Acima de tudo, devemos obedecer ao que ela ordena e viver de acordo com seus ditames. Deus conclama os que ministram a palavra a manejá-la corretamente (2Tm 2.15), e a pregá-la fielmente. Todos os crentes são convocados a proclamarem a palavra de Deus por onde quer que forem.
AMÉM!!!!!!!!!!
Fonte: Bíblia de Estudos Pentescostal

Erivelton R. de Jesus

28 - A VONTADE DE DEUS


Is 5.10: “Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os dias; e o bom prazer do Senhor na sua mão”.

Definição da vontade de Deus:
De modo geral, a Bíblia refere-se à vontade de Deus em três sentidos diferentes.
1º) A vontade de Deus é outra maneira de se identificar a Lei de Deus. Davi, por exemplo, forma um paralelo entre a frase “tua lei” e “tua vontade” no Salmo 40.8: “Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua Lei está dentro do meu coração.”. Semelhantemente, o apóstolo Paulo considera que, conhecer a Deus é sinônimo de conhecer a sua vontade (Rm 2.17,18). Noutras palavras: como em sua Lei o Senhor nos instrui no caminho que Ele traçou, ela pode ser apropriadamente chamada “a vontade de Deus”. “Lei” significa essencialmente “instrução”, e inclui a totalidade da Palavra de Deus.
2º) Também se emprega a expressão “a vontade de Deus” para designar qualquer coisa que Ele explicitamente quer. Pode ser corretamente designada de “a perfeita vontade de Deus”. E a vontade revelada de Deus é que todos sejam salvos (1TM 2.4; 2Pe 3.9) e que nenhum crente caia da graça “E a vontade do Pai, que me enviou, é esta: que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia” (Jo 6.39). É importante compreender o relacionamento entre a vontade de Deus e a responsabilidade humana. Não é da vontade de Deus que nenhum crente caia da graça e seja depois excluído da presença de Deus. Não é, tampouco, da sua vontade que alguém pereça, nem que deixe de vir ao conhecimento da verdade e ser salvo. Há, no entanto, muita diferença entre a perfeita vontade de Deus e a sua vontade permissiva. Deus não anula a responsabilidade do homem arrepender-se e crer, mesmo que isso signifique que sua perfeita vontade não é realizada. O desejo de Deus, é que todos os que crêem sejam salvos no último dia. Não os isenta da responsabilidade de obedecer à sua voz e de segui-lo. Jesus orou, na noite em que foi traído, dizendo de seus discípulos: “Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, se não o filho da perdição.” (Jo 17.12) isto é, aquele que tomou o rumo da perdição eterna. Isso não quer dizer que todos serão salvos, mas apenas que Deus deseja a salvação de todos.
3º) Finalmente, “a vontade de Deus” pode referir-se àquilo que Deus permite, ou deixa acontecer, embora Ele não deseje especificamente que ocorra. Tal coisa pode ser corretamente chamada “a vontade permissiva de Deus”. De fato, muita coisa que acontece no mundo é contraria à perfeita vontade de Deus, exemplo, o pecado, a concupiscência, a violência, ódio e a dureza de coração, mas Ele permite que o mal continue por enquanto. A chamada de Jonas para ir a Nínive fazia parte da perfeita vontade de Deus, mas sua viagem na direção oposta estava dentro da sua vontade permissiva (Jn 1). Além disso, a decisão de muitas pessoas permanecerem sem salvação é permitida por Deus. Ele não impõe a fé aos que recusam a salvação mediante o seu Filho. Semelhantemente, muitas aflições e males que nos acometem são permitidos por Deus, (1Pe 3.17; 4.19), mas não é desejo seu que soframos.
FAZENDO A VONTADE DE DEUS
            O ensino bíblico a respeito da vontade de Deus não expressa apenas uma doutrina. Afeta a nossa vida diária como crentes.
            Devemos, descobrir qual é a vontade de Deus, conforme revelado nas escrituras. Como os dias em que vivemos são maus, temos de entender qual a perfeita e agradável vontade de Deus (Ef 5.17).
            Uma vez que já sabemos como Ele deseja que vivamos como crentes, precisamos dedicar-nos ao cumprimento da sua vontade. O salmista, por exemplo, pede a Deus que lhe ensine a “fazer a tua vontade” (Sl 143.10). Ao pedir, igualmente, que o Espírito o guie “por terra plana” indica que, em essência, está rogando a Deus a capacidade de viver uma vida de retidão. Semelhantemente, Paulo espera que os cristãos tessalonicenses sigam a vontade de divina, evitando a imoralidade sexual, e vivendo de maneira santa e honrosa (1Ts 4.2,4). Noutro lugar, Paulo ora para que os cristãos recebam a plenitude do conhecimento da vontade divina, a fim de viverem “dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo” (Cl 1.9,10).
            Os crentes são exortados a orarem para que a vontade de Deus seja feita (Mt 6.10; 26.42; Lc 11.2; Rm 15.30-32; Tg 4.13-15). Devemos desejar, com sinceridade, a perfeita vontade de Deus, e ter o propósito de cumpri-la em nossa vida e na vida de nossa família. Se essa for a nossa oração e compromisso, teremos total confiança de que o nosso presente e futuro estarão sob os cuidados do Pai (conf. At 18.21; 1Co 14.19; 16.7). Se, porém, há pecado deliberado em nossa vida, e rebelião contra a Sua Palavra. Deus não atenderá as nossas orações. Não podemos esperar que a vontade divina seja feita na terra como no céu, a não ser que nós mesmos procuremos cumprir a sua vontade em nossa própria vida.
            Finalmente, não podemos usar a vontade de Deus como desculpa pela passividade, ou irresponsabilidade, no tocante à sua chamada para lutarmos contra o pecado e a mornidão espiritual. É Satanás, e não Deus, o culpado por essa era maligna, com a sua crueldade, maldade e injustiça. É também Satanás quem causa grande parte da dor e sofrimento no mundo (conf. Jó 1.6-12; 2.1-6; Lc 13.16; 2Co 12.7). Assim como Jesus veio para destruir as obras do Diabo (1Jo 3.8) “Para isto o filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo”, assim também é da vontade explicita de Deus que batalhemos contra as hostes espirituais da maldade por meio do Espírito Santo (Ef 6.10-20; 1Ts 5.8).
AMÉM!
Pb. Erivelton R. de Jesus

Fontes: Bíblia de Estudos Pentecostal e outros. 

27 - O PROFETA NO ANTIGO TESTAMENTO


Is 6.8,9: “Depois disso, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis me aqui, envia-me a mim. Então disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis”.
O LUGAR DOS PROFETAS NA HISTÓRIA DOS HEBREUS
            Os profetas do AT eram de Deus que, espiritualmente, achavam-se muito acima de seus contemporâneos. Nenhuma categoria, em toda a literatura, apresenta um quadro mais dramático do que os profetas do AT. Os sacerdotes juízes, reis, conselheiros e os salmistas, tinham cada um, lugar distinto na história de Israel, mas nenhum deles, logrou alcançar a estatura dos profetas, nem chegou a exercer tanta influência na história da redenção.
            Os profetas exerceram considerável influência sobre a composição do AT. Tal fato fica evidente na divisão tríplice da Bíblia hebraica: a Torá, os Profetas e os Escritos, conforme Lc 24.44: “E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos.”. A categoria dos profetas inclui seis livros históricos, compostos sob a perspectiva profética: Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis. É provável que os autores desses livros fossem profetas. Em segundo lugar, há dezessete livros proféticos específicos (Isaías até Malaquias). Finalmente, Moisés, autos dos cinco primeiros livros da Bíblia (a Torá), era profeta (Dt 18.15). Sendo assim, dois terços do AT, no mínimo foram escritos por profetas.

PALAVRAS HEBRAICAS APLICADA AOS PROFETAS
1)    Ro’eh: Segundo o dicionário VINE este substantivo tem dois significados no AT. O primeiro como “pastor” ocorre 62 vezes no AT. É aplicada a Deus, o Grande Pastor, que pastoreia o u alimenta suas ovelhas (Sl 23.1-4; Jo 10.11) Este conceito de Deus, o Grande Pastor e muito antigo, tendo sua primeira ocorrência nos lábios de Jacó em Gn 49.24 “donde é o Pastor e a pedra de Israel.”
O segundo significado que se encaixa em nosso estudo, é traduzido por “vidente, visão”, ocorre 11 vezes e se refere a um “profeta”, enfatizando o meio pela qual a revelação foi recebida (1Sm 9.9) e à “visão” (Is 28.7).
“Vidente”, em português, indica a capacidade especial de ver na dimensão espiritual e prever eventos futuros. O Título sugere que o profeta não era enganado pela aparência das coisas, mas que as viam conforme eram, da perspectiva do próprio Deus. Como vidente, o profeta recebia sonhos, visões e revelações, da parte de Deus, que o capacitava a transmitir suas realidades ao povo.
2)    Nabi’: Esta é a principal palavra hebraica para “profeta”, que segundo a Bíblia de Estudos Pentecostal na página 1001, ocorre 316 vezes no AT, e segundo o dicionário VINE esse substantivo ocorre em torno de 309 vezes no hebraico bíblico e em todos os períodos. Nabi’im é sua forma no plural. Embora a origem da palavra não seja clara, o significado do verbo hebraico “profetizar” é: “emitir palavras abundantes da parte de Deus, por meio do Espírito de Deus” (Genesius, Hebrew Lexicon). Sendo assim, o nabi’ era o porta voz que emitia palavras sob o poder impulsionador do Espírito de Deus.
No grego prophetes, a qual deriva a palavra “profeta” em português, significa “aquele que fala em lugar de outrem”. Os profetas falavam, em lugar de Deus, ao povo do concerto, baseados naquilo que ouviam, viam e recebiam da parte dEle.
No AT, o profeta também era conhecido como “homem de Deus” (2Rs 4.21), “servo de Deus” (Is 20.3; Dn 6.20), “homem que tem o Espírito de Deus sobre si” (Is 61.1-3), “atalaia” (Ez 3.17), e “mensageiros do Senhor” (Ag 1.13). Os profetas também interpretavam sonhos e interpretavam a história, presente e futura, sob a perspectiva divina.
HOMENS DO ESPÍRITO E DA PALAVRA
            O profeta não era simplesmente um líder religioso, mas alguém, possuidor pelo Espírito de Deus “E veio sobre mim a mão do Senhor; e o Senhor me levou em Espírito, e me pôs no meio de um vale cheio de ossos. Então, me disse: Profetiza sobre estes ossos e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor.” (Ez 37.1,4). Pelo fato do Espírito e a Palavra estarem nele, o profeta do AT possuía estas Três características: conhecimento divinamente revelado, poderes divinamente outorgados e estilo de vida característico.
                      I.        CONHECIMENTOS DIVINAMENTE REVELADOS.
Ele recebia conhecimento da parte de Deus no tocante às pessoas, aos eventos e às verdades redentoras. O propósito primacial de tais conhecimentos era encorajar o povo a permanecer fiel a Deus e ao seu concerto. A característica distinta da profecia, no AT, era tornar clara a vontade de Deus ao povo mediante a instrução, a correção e a advertência. O Senhor usava os profetas para pronunciarem o seu juízo antes de este ser desferido. O solo da história sombria de Israel e de Judá, brotaram profecias específicas a respeito do Messias e do reino de Deus, bem como predições sobre os eventos mundiais que estão por ocorrer.
                    II.        PODERES DIVINAMENTE OUTORGADOS:
Os profetas eram levados à esfera dos milagres à medida que recebiam a plenitude do Espírito de Deus. Através dos profetas, a vida e o poder divinos eram demonstrados de modo sobrenatural diante de um mundo que, doutra forma se fecharia à dimensão divina.
                   III.        ESTILO DE VIDA CARACTERÍSTICO:
Os profetas, na sua maioria, abandonaram suas atividades corriqueiras da vida a fim de viverem exclusivamente para Deus. Protestavam intensamente contra a idolatria, a imoralidade, e iniqüidade cometidas pelo povo, bem como a corrupção praticada pelos reis e sacerdotes. Suas atividades visavam mudanças santas e justas em Israel. Suas investidas eram sempre em favor do reino de Deus e de sua justiça. Lutavam pelo cumprimento da vontade divina, sem levar em conta os riscos pessoais.

OITO CARACTERÍSTICAS DO PROFETA DO ANTIGO TESTAMENTO

            Que tipo de pessoa era o profeta do Antigo Testamento?
                      I.        Era alguém que tinha estreito relacionamento com Deus, e que se tornava confidente do Senhor, “Certamente o Senhor Jeová não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Am 3.7). O profeta via o mundo e o povo do concerto sob a perspectiva divina, e não segundo o ponto de vista humano.
                    II.        O profeta, por estar próximo de Deus, achava-se em harmonia com Deus, e em simpatia com aquilo que Ele sofria por causa dos pecados do povo. Compreendia, melhor que qualquer outra pessoa, o propósito, vontade e desejos de Deus. Experimentava as mesmas reações de Deus. Noutras palavras, o profeta não somente ouvia a voz de Deus, como também sentia o seu coração.
                   III.        À semelhança de Deus, o profeta amava profundamente o povo. Quando o povo sofria, o profeta sentia dores (por exemplo, o livro de Lamentações). Ele almejava para Israel o melhor da parte de Deus “Desejaria eu, de qualquer maneira a morte do ímpio? Diz o Senhor Jeová; não desejo, antes que se converta dos seus caminhos e viva? (Ez 18.23). Por isso, suas mensagens continham, não somente advertências, como também palavras de esperança e consolo.
                  IV.        O profeta buscava o sumo bem do povo, isto é, total confiança em Deus e lealdade a Ele; eis porque advertiu contra a confiança na sabedoria, riquezas e poder humanos, e nos falsos deuses (Jr 8.9,10; Os 10.13; 14; Am 6.8). Os profetas continuamente conclamavam o povo a viver à altura de suas obrigações conforme o seu concerto estabelecido por Deus, para que viesse a receber as bênçãos da redenção.
                   V.        O profeta tinha profunda sensibilidade diante do pecado e do mal (Jr 2.12,13, 19; 25.3-7; Am 8.4-7; Mq 3.8). Não tolerava a crueldade, a imoralidade e a injustiça. O que o povo considerava leve desvio da Lei de Deus, o profeta interpretava, às vezes, como funesto. Não podia suportar transigência com o mal, complacência, fingimento e desculpas do povo (Is 32.11; Jr 6.20; 7.8-15; Am 4.1; 6.1). Compartilhava, mais que qualquer outra pessoa, do amor divino à retidão, e do ódio que o Senhor tem da iniqüidade “Amaste a justiça e aborrece a iniqüidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros” (Hb 1.9).
                  VI.        O profeta desafiava constantemente a santidade superficial e oca do povo, procurando desesperadamente encorajar a obediência sincera às palavras que Deus revelara na Lei. Permanecia totalmente dedicado ao Senhor; Fugia da transigência com o mal e requeria fidelidade integral a Deus. Aceitava nada menos que a plenitude do reino de Deus e a sua justiça, manifestadas no povo de Deus.
                 VII.        O profeta tinha uma visão do futuro, revelada em condenação e destruição (exemplo: Is 63.1-6; Jr 11.22,23; 13.15-21; Ez 14.12-21; Am 5.16-20,27), bem como em restauração e renovação (exemplo: Is 61-62; 65.17-66.24; Jr 33; Ez 37). Os profetas enunciaram grande número de profecias acerca da vinda do Messias.
               VIII.        Finalmente, o profeta era, via de regra, um homem solitário e triste (Jr 14.17,18; 20.14-18; Am 7.10-13; Jn 3-4), perseguidos pelos falsos profetas que prediziam paz, posteridade e segurança para o povo que se achava em pecado diante de Deus (Jr 15.15; 20.1-6; 26.8-11; Am 5.10). Ao mesmo tempo, o profeta verdadeiro era conhecido como homem de Deus, não havendo, pois, como ignorar o seu caráter e a sua mensagem.

O PROFETA E O SACERDOTE
            Durante a maior parte da história de Israel, os sacerdotes e profetas, constantemente, entravam em conflitos. O plano de Deus era que houvesse cooperação entre eles, mas os sacerdotes tendiam a aderir ao liberalismo e deixava de protestar contra a decadência do povo de Deus.
            Os sacerdotes muitas vezes concordavam com situação anormal reinante, e sua adoração a Deus resumia-se em cerimônias e liturgias. Embora a moralidade ocupasse um lugar formal na sua teologia, não era enfatizada por eles na prática.
            O profeta, por outro lado, ressaltava fortemente o modo de vida, à conduta, e as questões morais. Repreendiam constantemente os que apenas cumpriam com os deveres litúrgicos. Irritava, importunava, denunciava, e sem apoio humano defendia justas exigências e insistia em aplicar à vida os eternos princípios de Deus. O profeta era um ensinador de ética, um reformador moral e um inquietador da consciência humana. Desmascarava o pecado e a apostasia, procurando sempre despertar o povo a um viver realmente santo.

A MENSAGEM DOS PROFETAS DO ANTIGO TESTAMENTO
            A mensagem dos profetas enfatiza três termos principais: A natureza de Deus, o pecado e o arrependimento e a Predição e esperança messiânica.
v  A NATUREZ DE DEUS
Declaravam ser Deus o Criador e Soberano onipotente do universo (Is 40.28), e o Senhor da história, pois leva os eventos a servirem aos seus supremos propósitos de salvação e juízo (Is 44.28).
Enfatizam que Deus é Santo, reto e justo, e não pode tolerar pecado, iniqüidade e injustiça. Mas a sua santidade é temperada pela misericórdia. Ele é paciente e tardio em manifestar a sua ira. Sendo Deus santo, em sua natureza, requer que seu povo seja consagrado e santo ao Senhor (Zc 14.20). Como o Deus que faz concerto, que entrou num relacionamento exclusivo com Israel, requer que seu povo obedeça aos seus mandamentos, como parte de um compromisso de relacionamento mútuo.
v   O PECADO E O ARREPENDIMENTO
Os profetas do AT compartilhavam da tristeza de Deus diante da contínua desobediência, infidelidade, idolatria e imoralidade de seu povo segundo o concerto. E falavam palavras severas de justo juízo contra os transgressores. A mensagem dos profetas era idênticas a de João Batista e de Cristo “arrependei-vos, se não igualmente perecereis.” Prediziam eventos catastróficos, tal como a destruição de Samaria, peã Assíria (Os 5.8-12; 9.3-7; 10.6-15), e de Jerusalém por Babilônia (Jr 19.7-15; 32.28-36; Ez 5.5-12; 21.2,24-27).
v  PREDIÇÃO E ESPERANÇA MESSIÂNICA:
Embora o povo tenha sido globalmente infiel a Deus e aos seus votos, segundo o concerto, os profetas jamais deixaram de enunciar-lhe mensagens de esperança. Sabiam que Deus cumpriria os ditames do concerto e as promessas feitas a Abraão através de um remanescente fiel. No fim, viria o Messias, e através dEle, Deus haveria de ofertar salvação a todos os povos.
Os profetas colocavam-se entre o colapso espiritual de sua geração e a esperança da era messiânica. Eles tinham de falar a palavra de Deus a um povo obstinado, que, inexoravelmente rejeitavam a sua mensagem (Is 6.9-13). Os profetas eram tanto defensores do antigo concerto, quanto precursores do novo. Viviam no presente, mas com a alma voltada para o futuro.

OS FALSOS PROFETAS
            Há numerosas referências no AT aos falsos profetas.
Por exemplo: Quatrocentos falsos profetas foram reunidos pelo rei Acabe (2Rs 18.4-7); Um espírito mentiroso achava-se na boca deles (2Cr 18-8-22); Segundo o AT, o profeta era considerado falso, se desviasse as pessoas do Deus verdadeiro para alguma forma de idolatria (Dt 13.1-5); se praticasse adivinhação, astrologia, feitiçaria, bruxaria e coisas semelhantes; se suas profecias contrariassem as Escrituras; se não denunciassem os pecados do povo (Jr 23.9-18); ou se predissesse coisas específicas que não cumprissem (Dt 18.20-22). Note que os profetas, do novo concerto não falavam de modo irrevogável e infalível como os profetas do AT, que eram a voz primacial de Deus no que dizia respeito a Israel. No NT, o profeta é apenas um dos cinco dons ministerial da igreja. Os profetas do NT tinham limitações que os profetas do AT desconheciam (conf. 1Co 14.29-33), por causa da natureza multifacetada e interdependente do ministério nos tempos do NT.


AMÉM!
Pb. Erivelton R. de Jesus
                        Fontes: Bíblia de Estudos Pentecostal, dicionário VINE e outros. 

59 - A Ressurreição do corpo

A RESSURREIÇÃO DO CORPO 1Co 15.35: “Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão?” A ressurreição do corpo é uma ...